(...) antes que ele dissesse qualquer coisa, lhe cortaram as palavras, e taparam-no com um agigantado não.
Chorei por incontáveis dias. Doía-me a sua ausência, mas ainda mais me doía a humilhação que eu lhe havia feito passar. A sensação de incompetência nos tomava, a dor era tão intensa que eu nem sabia como agir. Era como se arranhassem meus pulmões, me transpassassem uma tesoura no estomago. Como se todo o meu corpo sofresse, como que massacrado, quando ele figurava frente aos meus olhos.
Desde então, meus desenhos se tornaram densos, cheios de alma ferida, de pinceladas sem rumos, de tintas fundidas a lágrimas. A minha covardia, por não haver lutado, por não haver enfrentado era a minha punição todos os dias.
Eu que tentava ser sempre ideal para todos, e não o podia ser para mim mesma. Essa prisão me transformava aos poucos nessa escultura em pedra que sou hoje.
Talvez seja preciso agora um impacto muito maior para rompê-la.
(trecho de um livro que um dia eu vou terminar)
N.

