Calei-me para poder dizer que aqui dentro não está tudo bem. E fiz isso por muito tempo. Mas agora, como uma revanche, meu coração me castiga.
Devo assumir que temo perdê-lo, talvez para a acidez do mundo, que consome, que corrói... Outras vezes tenho medo de mim porque como se houvessem atalhos mentais tudo me leva a ele.
Se talvez soubesse que sempre o percebi, que talvez tudo aquilo que tenta mudar me encanta. Lembro-me a primeira vez que o vi chorar, porque de um modo nunca sentido me feriu. Se ele soubesse que me dói ver seus olhos flutuantes, procurando onde pousar, sem descanso, porque algo o inquieta, talvez entendesse que eu sempre estive lá, onde nunca fui vista.
Planejo toda uma fala e escrevo mil e um roteiros. E em meios aos meus sonhos os ensaio. Mas, impossível. Tenho tudo guardado aqui e não sou incapaz de dizê-lo, por quê? Porque sou fraca. Porque o sinto tão inalcançável. Inatingível.
Tão longe de mim e tão perto. Às vezes tenho vontade de abraçá-lo e dizer que tudo vai ficar bem. Que aquelas feridas abertas cicatrizam e se tornam ainda mais resistentes, e apertá-lo contra o peito, sem dizer nada, só sentindo seu perfume, sua alma. Vontade de falar-lhe todas as minhas verdades...
ou só uma...
N.

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