Não me ame. Não, não me ame se for para ser assim, como tantos amores, desses de juras eternas, que com um suspiro se evaporam. Não me ame se tem medo de amar. Não me ame se o que quer é passar tempo, nem me ame para esquecer outro alguém.
Nunca me ame com coerência, nem me ame por etapas, pois sou o poço do imprevisível, sem começo, sem fim. E se o que quer é me amar, pois não pode ser assim, desse amor fugaz. Não me ame se o que quer é uma beleza incansável, eterna.
Não me ame se não pode ouvir a orquestra estrondosa e pacífica dentro de você. Não me ame se o que anseia é só o que pode ver, não me ame se não for amar a cada mudança diária, a cada marca na minha pele e na minha alma.
O amor ultrapassa os limites do plausível, no tempo, na distância, da dor, da dúvida, do medo.
Não me ame se já pensar em um fim. Não me ame se não dormir e acordar pensando em mim. Não me ame se não se ama, mas não se ame tanto que não possa me amar. Não há quem suporte um egoísta, que encera seu orgulho todas as manhãs e ofusca a todos quantos o seu raio alcançar. Não me ame se não ama o próximo.
Não me ame se em algum lugar do seu peito há uma nódoa de ódio, por quem quer que seja, não acredito que uma mesma fonte dê águas tão díspares. Não me ame se for para ter vergonha de mim.
Jamais ame por pena.
Não me ame por êxtase.
E, se por acaso for para me amar, que não seja sua escolha, nem sua opção, mas que seja a única visão, a única saída, a única maneira. Se for para me amar que seja na totalidade, para o mundo ver que há paradoxalmente um amor permanente em realidade.
Se for para me amar, que me deixe sem palavras.
N.
N.

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