domingo, 29 de abril de 2012

Desalmado...




Uma gota de chuva sobre a pele,
um raio de sol como prisma nos olhos,
uma palavra perdida, um descompasso,
um dedilhado impreciso sobre o piano,
um nó preso na garganta,
um suspiro deixado no espaço,
uma paleta de cores cheia,
uma e outra volta no relógio...

Uma noite estrelada, um longo caminho,

um sopro da brisa, bem de mansinho,
uma vida inteira em um segundo,
uma rosa, seus espinhos, um mundo,
uma dor, um pranto, um riso.
Um engano, uma surpresa, um desencanto,
uma aurora, um abraço profundo,
uma afago, um apego, um estrago,
um silêncio acompanhado,
uma tese, uma lua, uma resposta,
um desastre, uma eterna pergunta,
uma cachoeira, um solavanco,
um olhar de mistérios cheio,
uma criança, um velho, um caduco,
uma onda lavando a areia,
uma nuca, uma boca,
uma voz rouca,
um barco em lentidão,
um arco-íris.

Isso não é poesia.

Enquanto não for de sangue fervente
as veias pulsantes, enquanto não
faça aos poucos mudança
nesse mundo de loucos,
onde todos tão cheios
levam almas vazias,
tudo isso, sem sustância

de amor
nunca será poesia.

N.

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