Existe um mundo dentro de cada um, e por mais que sejamos turistas, mergulhadores, desbravadores de almas, nunca poderemos compreender em totalidade nenhuma. Por mais que entendamos alguns olhares, e que às vezes não seja necessária palavra alguma, nunca se terá a plenitude do pensamento alheio. Ele, algo tão único, tão individual que chega a atormentar quem o tem.
Talvez seja esse medo, essa agonia, que nos faz externalizá-lo, como que se dividíssemos o peso de existirmos. E na soma dos nossos dias encontramos pessoas e lhes entregamos porções metafóricas da nossa alma e em troca levamos segredos e sonhos alheios. A vida se torna mais suportável aos poucos.
E seremos num futuro, tão cheios de retalhos, e talvez nos doa o desencontro daqueles que nos compunham com suas curiosidades, suas perguntas, seus sonhos, suas opiniões... Porque na verdade somos feitos de fragmentos de mesclas de ideias, imagens, reflexões, coladas sobre o velho “eu”.
Como se encontrássemos e levássemos pequenos espelhos atados ao corpo, e nunca nos víssemos por completo, mas que a cada nova pessoa, nova ocasião, descobríssemos em outrem nós mesmos.
Seguimos andando, pensando e talvez nunca saberemos ao certo quem fomos quando tudo termine.
Talvez tenha sido tão grande e nem saiba... Porque somos ainda aquilo que não falamos, que não escrevemos, que não mostramos, somados às sensações que causamos.
Existe um mundo dentro de cada um e viajantes que não querem mais voltar. Existem muitos tempos ao mesmo tempo.
Existe muito mais que razão nas essências dos pensamentos.
N.

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