Se eu, deste mundo o último,
que do amor sente a fragrância,
e esperança extrai do mistério,
cosendo o futuro hipotético
ao acre gosto do passado trágico,
que não se limita a pensamento sóbrio,
que caminha pelo labirinto do lírico,
em busca da desconhecida substância.
Se deveras conhecessem o implícito,
Sem da dor as máculas,
Sem das faces as máscaras,
Se ousassem um canto poético,
Se pousassem seu espírito
distantes da ignorância e da malícia...
Conheceriam a mim, tímido,
Grandioso, profundo e sábio.
Mestre dos momentos efêmeros,
marcados, porém, sem nódoa.
Mas, eles, persistem no mórbido
modo de viverem no árido,
abominam a inocência,
em tudo matemáticos,
são seres vivos cadavéricos,
em suas leis rígidos,
em normas sérios,
e por fim histéricos.
Não conhecem a fonte de êxtase
do amor como da rosa o símbolo,
fogem de si para o cárcere
da imagem que carregam mímicos,
se limitam a não serem ébrios
de paixão e de angústia,
não soam como música,
dizem que amam atônitos,
buscam provas pela ciência,
mas, não sentiram das pétalas
o cetim aveludado, o ápice,
são para o amor céticos.
Se eu, deste mundo o único,
que faz da essência relevância,
broto em meio a miséria,
na minha singular história,
nem pálido, nem gélido,
mas cálido, frêmito,
vivaz em constância,
dessa vida que não é lógica,
senão nestes seres apáticos.
Contudo em meu âmago,
desse ser metamórfico,
haverá sempre uma ópera
que alcançará seu coração inóspito,
lhe fará desmanchar ávido,
como derretido pelo ácido,
num compasso mágico,
de amor, paixão e memória
cravados na dura existência,
onde o amor é a glória.
N.

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