terça-feira, 24 de maio de 2011

Suave


E ao pairar suave de suas pálpebras
uma e outra gota, como orvalho,
somando-se transbordavam,
já não podendo mais suportar
o peso e o aperto da saudade.

E na mistura que não se entende
de tristeza e felicidade
por aqueles rios desciam
fios de lembranças sutis,
semente fértil em terra seca.

E ao pairar suave de suas pálpebras
daqueles olhos agora risonhos,
marejando sonhos, camuflando a dor,
naqueles olhos de furia e paz
daqueles olhos, embebidos de amor.

E na mistura que não se entende,
de veludos  e espinhos, 
só se percebeu o amor em quem por alguém
nas próprias lágrimas se banhou,
e enxugou-se na poesia do destino.

(Noemi C. Prado)
Desenho Lapis de cor e papel sulfite  t. a4

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